Saudade

Do chão de pedra,
Da poeira, do mato, da serra,
Do amor à espera,
Da voz singela.

Do silêncio da paz,
Da bola, do pé de rosas, das carambolas,
Do peixe ao “sapeixe”
Da mangueira à figueira

Dos quadrúpedes desorientados,
Dos laços amarrados,
Da dispensa cheia de café,
Aos pães, na venda do seu Zé.
Perguntava sempre com um sorriso,
e então, como é que é?

Dos vagalumes esverdeando o quarto,
Acende e apaga, morre e nasce d’outro lado,
Do relógio pregado, do quadro na parede bem ali,
Meus três anos, por pelo menos vinte sem sair.

Da porteira com alavanca, das cores na varanda,
Da chuva com vento, arrebentando o varal ,
Criando rios nas estradas, e estradas no nosso quintal.
Dos dominós espalhados,  aos chapéus empalhados.
Para automóveis atolados,
Correntes para seus pés escorregados.

Do luar iluminando o asfalto,
Do ar fresco, da noite, no belo horizonte,
Do céu estrelado, sem nuvens, sem fim.
Dos sonhos, dos medos, habitantes em mim.

Da ave que pairava sob as cercas,  inhapim.
Do sol que queimava, e “sartava” as veias,
Da terra de gigantes, diamantes, e ouros gerais,

Ares que ventos não trazem mais.
Saudade dos tempos lá de trás…

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